Rejeitada urgência para projeto sobre troca partidária
O
Plenário rejeitou nesta quarta-feira (10) o regime de urgência para o
Projeto de Lei 4470/12, do deputado Edinho Araújo (PMDB-SP), que impede a
transferência do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão e
dos recursos do Fundo Partidário relativos aos deputados que mudam de
partido durante a legislatura.
Apesar
de ter atingido a maioria dos votos (247), o requerimento de urgência
não pôde ser aprovado porque esse regime de tramitação precisa de 257
votos favoráveis. No total, foram 247 votos a favor, 20 votos contra e 9
abstenções.
Um
dos objetivos da proposta é impedir o processo que ocorreu com a
criação do PSD, em que o novo partido, apesar de não ter participado das
eleições de 2010, conseguiu na Justiça o direito ao fundo e ao tempo de
televisão.
A
discussão do pedido de urgência gerou polêmica entre os partidos. Para o
deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), a proposta visa desarticular a criação
do novo partido da ex-senadora Marina Silva.
Sirkis
afirmou que, se o projeto for aprovado, o novo partido não terá direito
à parcela do fundo e ao tempo de rádio e TV de quem ingressar na
legenda. As regras mudaram para favorecer o PSD e, depois, [serão]
trocadas para prejudicar a Rede [o partido em criação], criticou.
Sem acordo
O
PSDB, o PSB e o PPS, por sua vez, reclamaram da “inclusão repentina” na
pauta do pedido de urgência para o projeto. O líder do PSB, deputado
Beto Albuquerque (RS), disse que a votação na cruzada da noite iria
contra a prática de acordos no Colégio de Líderes.
O
mesmo argumento foi utilizado pelo líder do PSDB, deputado Carlos
Sampaio (SP), que alegou não ter tido tempo de discutir a proposta com
seus vice-líderes e com a bancada.
O
deputado Roberto Freire (PPS-SP) também protestou e lembrou que o
requerimento de urgência foi assinado por líderes que não estão mais no
cargo.
Esse
argumento, no entanto, foi condenado pelo presidente da Câmara,
Henrique Eduardo Alves. O requerimento é um ato perfeito encerrado, que
não é invalidado por ter mudado a liderança de partido A ou B, disse
Alves.
Partidos favoráveis
Diversos
deputados se manifestaram a favor do projeto. Para o líder do PR,
deputado Anthony Garotinho (RJ), há um leilão de deputados motivado pelo
Fundo Partidário. A primeira vítima foi o DEM [que perdeu mais
deputados com a criação do PSD]. Precisamos coibir o aliciamento de
deputados, disse.
O
líder do PT, deputado José Guimarães (CE), disse que não é justo dar a
partidos recém-criados os mesmos direitos de partidos com legado. Não se
pode mais trocar de partido como se troca de camisa.
Para
o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), é preciso acabar com a portabilidade
do tempo de TV dos deputados. Mesmo tendo sido o mais prejudicado com o
PSD, queremos essa votação, disse.
Definição da pauta
Após
a rejeição da urgência, o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) pediu que o
presidente da Câmara chame os líderes partidários para rediscutir a
inclusão de matérias em pauta.
Precisamos
criar um clima para reconstrução de regras de governança entre nós,
disse Jardim. “A urgência foi colocada em votação sem ser discutida nem
acordada.
O
deputado Walter Feldman (PSDB-SP) também reclamou da votação da
urgência. Abaixo o método sorrateiro de votação de propostas, disse.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
Comentários
Postar um comentário