Negado HC a militares condenados por corrupção durante operação de distribuição de água no nordeste
Os
ministros do Superior Tribunal Militar (STM) negaram, nesta
quinta-feira, ordem de habeas corpus a dois militares do Exército e um
civil condenados na Justiça Militar por corrupção. O major M.T.C. e o
sargento F.E.S.G foram condenados a dois anos de reclusão por corrupção
passiva, acusados de receberem propina durante a operação de
distribuição de água no nordeste (Operação Pipa).
O civil L.N.S.F, dono de um caminhão-pipa, foi condenado a um ano de reclusão por corrupção ativa.
Os
réus foram condenados em março deste ano na Auditoria de Fortaleza.
Nesta semana, a defesa dos três réus impetrou pedido de habeas corpus
junto ao STM para trancar a ação penal. Segundo os advogados, a ação
penal não deveria existir e nem prosseguir na Justiça Militar porque os
réus não teriam praticado crime algum. Os advogados informaram que os
militares não tinham competência para majorar os valores dos contratos
estabelecidos com os pipeiros.
No
entanto, ao analisar o pedido, a ministra Maria Elizabeth Guimarães
Teixeira Rocha negou o pedido. Para a magistrada, a ação penal
desenvolveu-se de maneira correta, observou o devido processo legal
formal, a ampla defesa e o contraditório.
A relatora disse
que “na figura delituosa inexiste exigência expressa de que a
contrapartida moral configure ato de ofício, basta, tão somente, que os
militares tivessem recebido vantagem indevida em razão da função que
desempenham, na qualidade de agentes públicos”.
A
magistrada decidiu por negar o pedido e manter o curso normal da ação
penal, que ora se encontra em recurso de apelação junto ao STM.
Entenda o caso
Segundo
denúncia do Ministério Público Militar, em julho de 2008, o sargento
abordou o pipeiro propondo aumento de contrato de água de sete para 14
mil litros, mediante pagamento de 10% sobre os valores a serem recebidos
pelo motorista. Se não aceitasse a proposta, o contrato de fornecimento
de água seria cancelado.
Ainda
conforme o Ministério Público, o civil depositou R$ 1.800 na conta da
esposa do sargento. As investigações indicam que, posteriormente, o
dinheiro foi repassado para o major, apontado como líder do esquema.
Meses
depois, o pipeiro enviou uma carta ao 23º Batalhão de Caçadores
denunciando a propina, mas voltou atrás dias depois e retirou a
denúncia. O esquema acabou sendo comprovado a partir de quebra de
sigilos bancários e telefônicos e depoimentos de testemunhas.
Fonte: Superior Tribunal Militar
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