Advocacia-Geral ajuíza 78 ações para reaver R$ 77,1 milhões desviados de autarquias e fundações públicas federais
Na
última segunda-feira (9/12), Dia Internacional de Combate à Corrupção, a
Advocacia-Geral da União (AGU) ajuíza 78 ações com o objetivo de reaver
R$ 77,1 milhões para os cofres públicos. As quantias foram desviadas
por improbidade administrativa e irregularidades constatadas pelos
órgãos da Administração Pública indireta em estados das regiões
Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste.
As
ações têm origem em unidades da Procuradoria-Geral Federal (PGF), que
representa judicialmente e extrajudicialmente as autarquias, agências
reguladoras, fundações e instituições de ensino federais. São processos
relativos às áreas do meio ambiente, telecomunicações, energia elétrica,
exploração mineral, entre outras. O estado de Alagoas concentra sete
ações com o maior valor requerido, no total de R$ 16,9 milhões. A 1ª
Região reúne o maior número de pedidos, por meio de 41 ações.
A
recuperação dos valores, determinada pelo julgamento favorável da ação,
ocorre com o pagamento em depósitos judiciais ou alienação de bens
penhorados ou bloqueados. O montante de cada processo corresponde aos
danos causados pelo réu. Caso o devedor opte por parcelar o débito, de
forma judicial ou administrativa, conforme prevê a Portaria nº 419/2013
da PGF, o processo ajuizado fica suspenso.
Identificação
De
acordo com a Coordenação-Geral de Cobrança e Recuperação de Créditos da
PGF, quando o desvio de recursos públicos é identificado, os
procuradores federais instauram um Procedimento de Instrução Prévia
(PIP) para apuração dos fatos. Se a conclusão for pelo ajuizamento da
ação, a unidade prepara a petição e abre o processo na Justiça.
Existe
a possibilidade, também, dos pedidos de restituição de valores
contemplarem as condenações impostas pelo Tribunal de Contas da União
(TCU), após o trânsito em julgado do acórdão. Quando a devolução for
para crédito de um órgão da Administração Indireta, a decisão é
encaminhada pelo tribunal à PGF para que seja ajuizada a cobrança. Cerca
de 1,7 mil ações já foram ajuizadas para execução das decisões do TCU
envolvendo um total de R$ 990 milhões. Destes, R$ 163 milhões foram
recuperados.
Execução fiscal
Em
2013, cerca de R$ 1,9 bilhão já foi cobrado na Justiça por meio de
30.487 ações de execução fiscal. Especificamente quanto à improbidade
administrativa, a PGF ingressou com 1.740 ações que somam um total de R$
956 milhões recursos desviados. Considerando que 13% delas foram
julgadas, sendo 10% procedentes, os procuradores ainda defendem o
retorno aos cofres públicos de R$ 860 milhões.
As
decisões obtidas em relação às execuções dos acórdãos do TCU, de
processos de Tomada de Contas Especial, ações de improbidade
administrativa, ações de ressarcimento ao Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) e de outras áreas somam R$ 42,5 milhões em bens dos
envolvidos que foram penhorados judicialmente.
O
Procurador-Geral Federal, Marcelo Siqueira, ressalta a importância dos
resultados. São significativos os retornos que a Advocacia Pública
Federal tem conseguido nesse campo e, em relação à Procuradoria-Geral
Federal, destaco a atuação para a recuperação dos desvios envolvendo a
Previdência Social, afirma.
Casos
A
Previdência Social figura como credora, por decisão judicial, dos
valores obtidos com os leilões de imóveis dos integrantes da quadrilha
liderada pela fraudadora Jorgina de Freitas. Ao longo deste ano, duas
alienações referentes a dois apartamentos localizados no bairro Leblon,
no Rio de Janeiro, renderam R$ 14 milhões à instituição. A atuação dos
procuradores federais neste caso já conseguiu recuperar um total de R$
125 milhões com a realização de leilões, repatriação de valores e
alienação de 500 quilos de ouro.
A
Advocacia-Geral, por meio da PGF, ajuizou também ação de improbidade
administrativa contra os ex-governadores do Distrito Federal Joaquim
Roriz, Maria Abadia e José Roberto Arruda, que terão que devolver
solidariamente R$ 19,9 milhões, caso sejam condenados, por desvios
comprovados no Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem). Para
conseguir obter o valor, foi solicitado o bloqueio das contas bancárias,
veículos, quebra de sigilo fiscal e notificação em cartórios de
registro de imóveis em Brasília e em São Paulo.
Em
Londrina/PR, a PGF também obteve sentença favorável este ano em ação de
improbidade administrativa, ajuizada em conjunto com o Ministério
Público Federal, para que uma ex-servidora do INSS reponha R$ 2 milhões
pelos prejuízos causados à autarquia.
Parceria
A
Coordenadora-Geral de Cobrança e Recuperação de Créditos da PGF,
Tarsila Fernandes, destaca o trabalho articulado desenvolvido com
diversos órgãos de controle, como a Controladoria-Geral da União (CGU).
Segundo ela, o órgão encaminha tomadas de contas especiais para
verificação de cabimento de alguma medida de ressarcimento a ser tomada
antes mesmo do julgamento do TCU.
Outra
forma de integração envolve os ministérios e corregedorias de
autarquias e fundações públicas federais, que direcionam processos
administrativos disciplinares de servidores condenados por atos de
improbidade administrativa.
Esta
articulação é extremamente relevante, na medida em que viabiliza o
recebimento, pela AGU, de material probatório para ser analisado e, se
for o caso, embasar o ajuizamento de uma ação judicial que tenha por
escopo o ressarcimento dos cofres públicos, avalia Tarsila Fernandes.
A PGF é órgão da estrutura da AGU.
Fonte: Advocacia Geral da União
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