Polícia Federal e Ibama deflagram operação contra crime ambiental cibernético
A
operação Nuvem Negra deflagrada hoje pela Polícia Federal e pelo Ibama
nos Estados do Maranhão, Pará e Goiás, é resultado de um ano de
investigações, iniciadas a partir do monitoramento sistemático dos
sistemas de controle florestal do Ibama (SISDOF). Nesta ação foram
identificados cerca de 30 alvos envolvidos com o esquema de invasão
cibernética nas empresas que utilizam o Sistema. Estão sendo cumpridos
21 mandados de prisão preventiva, 22 mandados de busca e apreensão, 7
conduções coercitivas, bloqueio de contas bancárias e a suspensão da
atividade econômica de todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas,
além de buscas e apreensões em serrarias.
A fraude consistia, em síntese, no furto de “créditos” de produtos florestais de empresas situadas em diversos Estados
da Federação. Em regra, esses “créditos” servem para acompanhar todo o
produto florestal desde a sua origem até o seu destino (comprovando a
origem lícita da madeira existente em um estabelecimento ou em
transporte). Uma serraria somente pode ter madeira em seu pátio se no
Sistema constar o respectivo “crédito”, o que demonstraria a origem
lícita da madeira.
Assim,
para conferir aparência de legalidade (“esquentar”) das madeiras
extraídas ilegalmente de Terras Indígenas e Unidades de Conservação, os
criminosos invadiam os computadores de outras empresas e furtavam,
desviavam (simulando transações reais), esses “créditos” para empresas
fantasmas ou irregulares que, ato contínuo, confeccionavam documentos
florestais (DOFs) falsos para “esquentar” madeira e carvão extraídos
ilicitamente, principalmente da Reserva Biológica do Gurupi e Terras
Indígenas situadas entre os Estados do Maranhão e Pará (TI Awá, Caru,
Alto Turiaçu e Alto Rio Guamá).
Considerando
somente o ano de 2013, contabilizou-se um volume de “créditos”
indevidos de cerca de 500 MIL metros cúbicos de madeira serrada que
entraram no Maranhão e Pará para esquentar madeira ilegal. Apenas para
ilustrar, para transportar 500 MIL metros cúbicos de madeira serrada,
seriam necessários aproximadamente 7.000 (sete mil) caminhões, e
representam cerca de 14.000 (quatorze mil) caminhões de madeira em tora.
Os
criminosos, detentores de um verdadeiro “banco de créditos ilegais de
madeira” para esquentar madeira extraída ilegalmente, motivavam-se com a
lucratividade dos negócios e a vulnerabilidade por parte de empresas
usuárias do sistema de controle de produtos florestais. Medidas de
controle e de segurança foram adotadas pelo Ibama, como a limitação de
fluxos de créditos contrários à lógica de mercado, impedindo, por
exemplo, que “créditos” de madeira de regiões consumidores retornem para
os estados do Maranhão e do Pará, bem como a certificação digital
obrigatória para usuários internos e externos do Sistema.
A
Operação Nuvem Negra identificou que os crimes eram praticados por
pessoas que já tinham sido alvo de diversas fiscalizações pelo Ibama e
inquéritos policiais, inclusive com condenações na Justiça,
especialmente grandes madeireiros da região de Centro do Guilherme/MA,
Gov. Nunes Freire/MA e Buriticupu/MA, cidades que circundam terras
indígenas e a Reserva Biológica do Gurupi. O Ibama bloqueou mais de 200
empresas que seriam beneficiadas com o este esquema e retirou os
“créditos” indevidos de suas contas.
Os
investigados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes
de formação de organização criminosa, furto de madeira, falsidade
ideológica, invasão de dispositivos informáticos, crimes ambientais,
lavagem de ativos, dentre outros. O Ibama continuará as análises para
apuração das infrações administrativas.
Fonte: IBAMA
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