C.FED - Debatedores criticam proposta de financiamento para imóveis invadidos
Proposta
discutida em audiência pública permite que quem ocupar por mais de
cinco anos empreendimentos financiados originalmente pela Caixa possa
pagar e ter a posse do patrimônio. Banco teme que medida incentive
ocupações irregulares.
O
projeto que garante financiamento integral da Caixa Econômica Federal
para a venda de imóveis invadidos (7562/10) foi criticado durante
audiência pública promovida pela Comissão de Desenvolvimento Urbano.
A
proposta, do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ) permite que participem
do financiamento da Caixa as pessoas que estiverem ocupando os imóveis
invadidos por pelo menos cinco anos, desde que esses empreendimentos
tenham sido financiados originariamente pela própria Caixa.
O
superintendente Nacional do Programa Minha Casa, Minha Vida da Caixa
Econômica Federal, Roberto Carlos Ceratto, afirmou que o projeto vai
estimular as invasões de imóveis.
“A
grande preocupação, até pelo volume de moradias que está se produzindo
no Programa Minha Casa, Minha Vida, é que essa legalização incentive a
invasão de empreendimentos que estão em produção destinados para as
pessoas que seguiram o rito da lei, fez a inscrição, atendeu aos
critérios: mulher chefe de família, morador de área de risco, ou pessoa
com deficiência.”
O
projeto diz que a Caixa não poderá exigir comprovação de renda ou
qualquer outra garantia que não seja a do próprio imóvel, para financiar
a moradia invadida. O consultor Legislativo da Câmara Eduardo da Costa
diz que isso é ilegal. “É o desconhecimento de um princípio fundamental,
vamos chamar assim, do Sistema Financeiro Habitacional como um todo,
que é fazer com que as vendas das unidades nesse sistema sejam amparadas
em capacidade financeira ou renda familiar”, esclareceu.
Aprovação
Apesar
das críticas, o relator do projeto, deputado Flaviano Melo (PMDB-AC),
recomendou a aprovação da proposta. “Eu entendo que, quando o deputado
Eduardo Cunha fez o projeto ele não estava pensando no Minha Casa, Minha
Vida. Era coisa que estava, diz ele, cinco anos ocupada. Cinco anos
ocupado, eu acho que é porque não vai sair mais”, afirmou.
Na
avaliação de Flaviano, a intenção não é beneficiar apenas quem já está
ocupando o imóvel, mas também preservar o patrimônio público. “A Caixa
vai receber e esse dinheiro é empréstimo que a Caixa utiliza. A solução
será feita da forma correta: pagamento por quem está lá morando”, alegou
Depois
de ser votado na Comissão de Desenvolvimento Urbano, o projeto que
garante financiamento integral da Caixa Econômica Federal para a venda
de imóveis invadidos ainda precisa ser analisado por mais duas
comissões.
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