C.FED - Entidades defendem acordo entre terapeutas naturistas e naturólogos para regulamentar profissões
Especialistas
que participaram de audiência pública nesta quinta-feira (10) na
Comissão de Seguridade Social e Família concordaram que as profissões de
terapeutas naturistas e naturólogos têm atuação diferenciada, mas que
podem ser regulamentadas por uma única lei.
Segundo
o PL 6959/10, da Comissão de Legislação Participativa, terapeuta
naturista é o profissional da área de saúde que se utiliza dos recursos
primordiais da natureza e do fluxo de energia vital do ser humano para
manter ou restabelecer a saúde do indivíduo. Já o PL 3804/12, do
deputado Giovani Cherini (PDT-RS), estabelece como atividades do
naturólogo a aplicação de técnicas, métodos, procedimentos e sistemas
terapêuticos tidos como holísticos, sistêmicos ou integrativos, que
utilizam práticas naturais em saúde visando à promoção, manutenção e
recuperação da saúde.
A
vice-presidente do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia
Ocupacional Luziana Carvalho de Albuquerque Maranhão destacou que as
duas práticas são importantes, mas é preciso definir com clareza o que
faz o terapeuta naturista. “Dizer que ele utiliza da natureza é um
conceito muito vago”, disse. Segundo ela, práticas integrativas e
complementares são muito importantes e o desejo é que terapeutas e
naturólogos entrem em um acordo.
O
relator dos projetos, deputado Mandetta (DEM-MS), que requisitou a
audiência, declarou se não houver maiores esclarecimentos e
entendimentos, os textos serão rejeitados. “O desafio é diminuir as
distâncias e construir um texto comum”, disse.
Faculdades
A
professora do curso de Naturologia da Universidade Anhembi Morumbi
Adriana Elias Magno da Silva também frisou que existem cursos de nível
superior para naturólogos, contemplando exigências do Ministério da
Educação e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com a formação, o
profissional é capaz de atuar em hospitais no cuidado paliativo para
amenizar efeitos colaterais com as práticas, e também em pesquisas.
O
corregedor do Conselho Federal de Medicina, José Fernando Maia Vinagro,
disse ser contra a criação de faculdades para formar profissionais e
não saber onde inseri-los. “Precisamos mudar essa equação perversa.
Quando a faculdade for criada, a profissão já deve estar regulamentada”,
disse.
Profissão cooperativa
A
professora do curso de Naturologia da Universidade Anhembi Morumbi
Adriana Elias Magno da Silva assinalou que a naturologia e os terapeutas
naturistas são frutos de um processo social de movimento a favor de
questões ecológicas e naturais, da década de 60, quando valores e
paradigmas começaram a ser questionados. “O naturólogo observa o
paciente de maneira abrangente e trabalha todo o processo - saúde e
doença - de maneira integrativa e complementar, abordando aspectos
físicos e emocionais. O foco de atendimento da naturologia não é
curativo, está mais ligado a aspectos de bem estar e qualidade de vida”,
esclareceu.
O
vice-presidente da Associação Brasileira de Naturologia Daniel Mauricio
de Oliveira Rodrigues destacou que a naturologia não é uma profissão
exclusiva, mas cooperativa. Para Daniel Rodrigues, em centros de terapia
ocupacional deve haver médicos, homeopatas, fisioterapeutas,
naturólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, entre outros.
Já
a vice-presidente da Federação Nacional dos Terapeutas (Fenate) Adeilde
Marques, declarou que o terapeuta está em hospitais e postos de saúde,
mas apenas como voluntário. Segundo informou, a Fenate sugeriu o Projeto
de Lei que regulamenta a profissão de terapeuta naturista para
beneficiar mais de 600 mil profissionais que atuam no ramo.
Segundo
Adeilde, o Ministério da Saúde autoriza e reconhece o valor terapêutico
e incentiva as unidades de saúde a adotarem as terapias, mas os
terapeutas não participam do processo.
O
diretor do Sindicato Nacional dos Terapeutas Naturistas, Moriel Sophia,
declarou que em muitos municípios prefeitos aprovaram projetos para que
os terapeutas naturistas englobem o sistema de saúde e ganhem salários.
Ele afirmou que o terapeuta não deve prescrever, mas apenas sugerir que
sejam feitos procedimentos e que o diagnóstico cabe ao médico.
Nova audiência
Na
próxima quarta-feira (16), às 14h30, a presidente do Fenate, Maria do
Perpétuo Socorro de Salles, vai participar de audiência sobre as
terapias integrativas, na Comissão de Legislação Participativa.
Também
no dia 16, às 8 horas, está previsto o lançamento da Frente Parlamentar
em Defesa das Terapias Integrativas na Saúde, no Hall da Taquigrafia.
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