Nepotismo: MP aciona ex-governador, ex-secretário de agricultura e comissionado por improbidade
A
promotora de Justiça Fabiana Lemes Zamalloa do Prado propôs ação civil
pública (contra o ex-governador Alcides Rodrigues, o ex-secretário de
Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Leonardo Veloso do
Prado, e sua mulher, Thais Arruda Masseto, pela prática de ato de
improbidade administrativa.
De
acordo com a ação, Leonardo e Thaís, com apoio do ex-governador,
atentaram, contra os princípios da administração pública, ao praticarem
nepotismo, entre setembro de 2009 e janeiro de 2011.
A
promotora relata que Leonardo do Prado foi nomeado secretário em 2007 e
Thaís passou a ocupar o cargo de estagiária, época em que os dois se
conheceram. No ano seguinte, começaram um relacionamento amoroso,
ocasião em que o ex-secretário foi exonerado para concorrer ao cargo de
prefeito de Rio Verde. Sem conseguir se eleger, foi nomeado em 2009 para
ocupar o cargo novamente.
Assim
que reassumiu, Alcides Rodrigues nomeou Thaís para o cargo em comissão
de supervisor A-CDA-08 naquela mesma pasta. Ela e Leonardo se casaram em
19 de setembro de 2009, apenas 18 dias depois da nomeação da
comissionada.
Fabiana
Zamalloa observa que o ex-governador foi padrinho de casamento do
casal, o que evidencia a relação de amizade e intimidade entre os
acionados. Para ela, não há duvida que a nomeação de Thaís, poucos dias
antes do casamento, foi uma tentativa explícita de burlar a Súmula 13 do
STF e do Decreto n° 6.888/09, que tratam do tema nepotismo. “É certo
afirmar que essa nomeação foi proveniente da influência do futuro marido
que, de má-fé, se aproveitou da brecha legal, pois somente seria
considerado nepotismo se fosse realizada depois do casamento”, afirma a
promotora.
Depois
de exercer esse cargo, Thaís foi exonerada, em 2010, e nomeada para
exercer outro cargo em comissão, desta vez na Secretaria da Fazenda.
Nessa época, ela já estava casada com o ex-secretário e, ao tomar posse
no cargo, declarou não possuir vínculo de matrimônio, união estável ou
parentesco em linha reta, colateral ou por afinidade, até terceiro grau,
com qualquer agente público, prestando assim uma declaração falsa. Essa
nova nomeação foi feita, de novo, por seu padrinho de casamento, que
sabia da existência de vínculo de matrimônio entre os acionados. Da
mesma forma que Thaís, Leonardo também procurou omitir seu estado civil,
uma vez que não incluiu em seu dossiê funcional sua certidão de
casamento.
A
promotora ressalta que Alcides terminou seu mandato no final de
dezembro de 2010, sendo que Leonardo e Thaís foram exonerados nos
primeiros dias de janeiro de 2011, o que reforça o fato de que os dois
violaram, com consciência e vontade, o princípio da impessoalidade e da
moralidade administrativa, bem como praticaram nepotismo. Da mesma forma
ocorreu com o ex-governador, razão pela qual a promotora requer a
condenação dos três acionados, conforme prevê a Lei de Improbidade
Administrativa.
Fonte: Ministério Público de Goiás
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