Mantida condenação de sargento por desacato
O
Superior Tribunal Militar (STM) manteve em um ano a condenação do
sargento Laci Marinho de Araújo pelo crime de desacato a superior. O
recurso de embargos foi apresentado pela defesa do réu, em virtude da
condenação ocorrida em março de 2012, em julgamento de apelação no STM.
Em
2010, o sargento Laci Marinho havia sido condenado a um ano, três meses
e 15 dias de reclusão pelos crimes de calúnia e desacato a superior,
descritos respectivamente nos artigos 214 e 298 do Código Penal Militar
(CPM). No mesmo julgamento, o ex-sargento do Exército Fernando Alcântara
de Figueiredo tinha sido condenado a oito meses de detenção pelo crime
de ofensa às Forças Armadas, previsto no artigo 219 do CPM. Eles recorreram ao STM e em 2012 a Corte manteve as condenações.
Nesta
quinta-feira (1º), o Tribunal não mudou o entendimento e manteve a
condenação dos sargentos Laci e de seu companheiro, o ex-sargento
Fernando Alcântara. No entanto, a pena de Laci foi reduzida para um ano
em decorrência da extinção da punibilidade do crime de calúnia. O crime
de ofensa às Forças Armadas, imputado a Fernando Alcântara, também teve
extinta a punibilidade.
Por maioria, os ministros da Corte resolveram acatar o voto do revisor do recurso, o ministro William de Oliveira Barros. Para o ministro, as condenações se basearem em provas sólidas e não havia nada a ser revisto no julgamento anterior.
O
Plenário manteve também o beneficio do regime prisional inicialmente
aberto, com o benefício do sursis - suspensão condicional da pena - pelo
prazo de dois anos e o direito de recorrer em liberdade.
Caso ocorreu em 2008
O
sargento Laci foi preso em junho de 2008 pelo crime de deserção, já que
estava ausente há mais de oito dias do Hospital do Exército de
Brasília, local onde servia. A prisão foi efetuada em São Paulo, após sua participação no programa “Super Pop”, da RedeTV.
No
dia seguinte à prisão, o militar foi transferido para Brasília e preso
no Batalhão de Polícia do Exército. No mesmo dia, o então sargento
Fernando deu entrevista ao “Jornal Nacional”, da TV Globo, denunciando
que o seu companheiro, o sargento Laci, teria sofrido maus tratos e
tortura ao ser transferido para a prisão na capital federal. Fernando
afirmou à emissora que os militares da escolta teriam colocado um saco
plástico na cabeça de Laci e teriam desferido golpes no abdômen e nas
plantas dos pés.
De
acordo com a denúncia do Ministério Público Militar (MPM), a matéria
jornalística teve bastante repercussão, chegando a mobilizar uma
comissão do Senado Federal e organizações de combate à homofobia em todo
o país. Além disso, um Inquérito Policial Militar foi instaurado para
apurar possíveis crimes cometidos pelos militares da escolta.
Gravações de áudio e vídeo
Na
primeira instância, segundo o Ministério Público Militar, ficou provado
no curso das investigações que os acusados divulgaram informações
inverídicas e imputaram falsamente aos militares da escolta fatos tidos
como crime e ainda incidiram em outros delitos como desacato a superior e
ofensa às Forças Armadas.
Em
2012, ao analisar a apelação, o ministro Francisco José da Silva
Fernandes rejeitou parcialmente o recurso da defesa, que pedia a
anulação do processo e absolvição dos acusados. Para o ministro, ficou
provado que não houve tortura, maus tratos ou agressões. “Todo o trajeto
de escolta do sargento foi gravado em áudio e vídeo e a perícia da
Polícia Civil indicou que não se viu qualquer anormalidade no transporte
dele”.
Segundo
o magistrado no julgamento da apelação, o que restou comprovado foi a
intenção dos dois militares em denegrir a imagem do Exército junto à
população. “Os sargentos sabiam que os militares da escolta eram
inocentes e mesmo assim insistiram em dizer, em rede nacional, que os
militares cometeram as agressões. O sargento Laci teve o dolo de
caluniar”, afirmou. O relator ressaltou que as ofensas de desacato a
superior foram provadas na degravação do áudio feito durante o translado
do preso.
Fonte: Superior Tribunal Militar
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