Pesquisa mostra mudança na percepção sobre violência contra mulher
A
maior parte da sociedade conhece a Lei Maria da Penha e considera crime
a violência contra mulheres. Só 9% dos homens acham que esse tipo de
violência não deveria ser tratado como crime.
Os
dados fazem parte da pesquisa Percepção da sociedade sobre violência e
assassinato de mulheres, apresentada nessa segunda-feira, 5/8, em São Paulo
(foto), como parte das ações da campanha Compromisso e Atitude, de
divulgação da Lei Maria da Penha. A pesquisa foi realizada pelo Data
Popular e pelo Instituto Patrícia Galvão, com o apoio da Secretaria de
Políticas Públicas para Mulheres, e ouviu 1.501 homens e mulheres
maiores de 18 anos, em 100 municípios de todas as regiões do país, entre
os dias 10 e 18 de maio deste ano.
Sete
em cada dez entrevistados consideram que as brasileiras sofrem mais
violência dentro de casa do que em espaços públicos, e metade avalia que
as mulheres se sentem de fato mais inseguras dentro da própria casa.
Segundo o estudo, a violência de gênero está presente no cotidiano da
maior parte dos brasileiros: entre os entrevistados, de ambos os sexos e
todas as classes sociais, 54% conhecem uma mulher que já foi agredida
por um parceiro e 56% conhecem um homem que já agrediu uma parceira. E
69% afirmaram acreditar que a violência contra a mulher não ocorre
apenas em famílias pobres.
Para
a conselheira do Maria Ester Henriques Tavares, que representa o CNMP
na coordenação da campanha, os números mostram que a visão sobre o tema
mudou na última década. A pesquisa mostra também a necessidade de o
Estado ampliar o apoio às mulheres vítimas de violência, avalia. O
estudo mostrou que 57% das pessoas acreditam que a punição dos
assassinos das parceiras é maior hoje do que no passado, mas metade da
população considera que a forma como a Justiça pune não reduz a
violência contra a mulher. Cerca de 85% dos entrevistados acham que as
mulheres que denunciam seus parceiros correm mais riscos de serem
assassinadas.
No
lançamento, a conselheira informou que o enfrentamento da violência
contra mulheres será uma das linhas de atuação da Comissão de Direitos
Fundamentais do Conselho. Anunciou, ainda, que o CNMP iniciou o
levantamento do número de homicídios praticados contra mulheres, num
trabalho conjunto com as unidades do Ministério Público.
Fonte: Conselho Nacional do Ministério Público
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