MP recorre para garantir direito do cidadão de acesso a informações ambientais
Preocupado
em garantir a defesa do meio ambiente e o direito do público de acessar
informações ambientais, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG)
recorreu ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para que o estado
seja obrigado, sob pena de multa diária de R$ 1 milhão, a liberar o
acesso amplo e irrestrito de qualquer cidadão ao Sistema de Informações
Ambientais (Siam), que deverá ser atualizado e alimentado
sistematicamente. O MPMG pede ainda que o ente federativo seja proibido
de conceder qualquer licença ou autorização ambiental sem que estudos,
relatórios, pareceres e documentos estejam integralmente
disponibilizados na plataforma.
Com
a medida - agravo de instrumento -, o MPMG busca colocar um ponto final
na omissão estatal e na ineficiência e na restrição injustificada de
acesso público ao sistema Siam, “uma verdadeira caixa preta ambiental”,
conforme a instituição. No recurso apresentado à Justiça, o MPMG cita a
Lei Estadual nº 15.971, de 12 de janeiro de 2006, que assegura, em Minas Gerais,
o acesso a informações básicas sobre o meio ambiente, bem como o acesso
público aos documentos, expedientes e processos administrativos que
tratem de matéria ambiental.
De
acordo a instituição, o Siam, criado pela Secretaria de Estado de Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, sempre apresentou problemas de
alimentação, além de exigir senhas para acesso a determinadas
informações. Conforme o MPMG, a ferramenta não disponibiliza
devidamente, por exemplo, resultados de monitoramento e auditoria nos
sistemas de controle de poluição, planos e ações de recuperação de áreas
degradadas, informações sobre acidentes, situações de risco,
emergências ambientais, presença de substâncias tóxicas e perigosas.
“O
acesso a essas informações supera a mera curiosidade e tem relação
direta com a sadia qualidade de vida dos interessados. Qualquer pessoa
tem o direito de saber, por exemplo, se existe alguma situação de risco
próxima à sua residência e se há algum plano para atender a essa
situação. O fácil acesso a esse plano pode ser a diferença entre vida e
morte em uma situação concreta”, argumentam os promotores de Justiça que
assinam o agravo.
Segundo
os representantes do MPMG, o sistema pode e deve ser alimentado com
frequência, com total possibilidade de acesso público às informações
sobre processos de licenciamento ambiental de forma ilimitada, sem ônus
adicionais ao Estado. “Em uma época em que o Portal da Transparência
passou a ser a ordem do dia para todos os Poderes, não existe
justificativa plausível para negar acesso a dados de empreendimentos que
podem afetar o ambiente”, justificam.
Ineficiência em dobro
O
MPMG também contesta a possível utilização de um novo sistema lançado
pelo estado, em 2010, para suprir as deficiências do Siam. O denominado
Sisemanet, segundo a instituição, também não cumpre o objetivo de manter
banco de dados atualizado para acesso pela sociedade, possuindo ainda
menos informações disponíveis que o sistema anterior. “Ou seja,
atualmente existem dois sistemas de informação disponíveis, mas nenhum
deles alcança, sequer razoavelmente, os objetivos visados pela
legislação”, apontam os promotores de Justiça.
“Enquanto
isso, cidadãos e instituições atingidos por empreendimentos diversos
seguem sendo prejudicados pela perpetuação de impactos ambientais e
sociais, por vezes irreparáveis”, lamentam.
O Agravo de Instrumento, que busca reformar decisão liminar de primeira
instância, é assinado pelos promotores de Justiça Carlos Eduardo
Ferreira Pinto, Mônica Fiorentino, Mauro da Fonseca Ellovitch e Marcos
Paulo de Souza Miranda.
Fonte: Ministério Público de Minas Gerais
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