Conselho desenvolve ações para combater a violência sexual contra crianças
O
Brasil celebrou o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração
Sexual de Crianças e Adolescentes no sábado (18/5) diante de triste
realidade. De janeiro a abril deste ano, a Secretaria de Direitos
Humanos da Presidência da República registrou mais de 12 mil denúncias
de violência sexual contra meninos e meninas em todo o País. O número
evidencia a necessidade de haver mais engajamento dos diversos atores
públicos no combate a crimes dessa natureza. Com relação ao Poder
Judiciário, o esforço empreendido pelo Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) vem sendo no sentido de assegurar a duração razoável do processo
e, consequentemente, o julgamento célere de ações penais.
A
iniciativa vem acompanhada de preocupação do órgão de planejamento do
Poder Judiciário de preservar, no curso dos processos criminais, a
dignidade das crianças e dos adolescentes vítimas ou testemunhas de
violência ou exploração sexual. Em novembro de 2010, o Conselho editou a
Recomendação n. 33 para incentivar os tribunais a adotarem a coleta
especial de depoimento, conhecida também como depoimento sem dano.
A
recomendação sugere aos tribunais a implantação do depoimento
videogravado, a ser realizado em ambiente separado da sala de
audiências, com a participação de profissionais especializados no
desenvolvimento dessa prática. De acordo com a orientação, essas salas
especiais deverão ser adequadas para proporcionar às vítimas segurança,
privacidade, conforto e condições de acolhimento.
No
Brasil, existem atualmente 59 salas de tomada de depoimento especial em
funcionamento em 16 estados brasileiros. O CNJ quer estimular o aumento
desse número. Com esse objetivo, o órgão firmou, em setembro do ano
passado, um termo de cooperação com a organização da sociedade civil de
interesse público Childhood Brasil. O Unicef, parceiro do CNJ, também é
colaborador nesse projeto em prol da infância e juventude.
A
Childhood Brasil integra a World Childhood Foundation, organismo
internacional criado pela Rainha Silvia, da Suécia, para desenvolver
ações contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Marina Gurgel, juíza auxiliar da presidência do CNJ, destacou que o
acordo visa incentivar os tribunais brasileiros a criarem mais salas
especiais para a aplicação do depoimento sem dano e capacitarem equipes
para a aplicação dessa metodologia.
Outro
objetivo da parceria é a qualificação dos servidores do Poder
Judiciário. Nesse sentido, a Childhood e o Centro de Formação e
Aperfeiçoamento de Servidores do Poder Judiciário (CEAJud), do CNJ,
estão desenvolvendo um curso para formar multiplicadores da prática
acerca da tomada especial de depoimento.
O
curso será composto por três módulos interdependentes, sendo dois à
distância e o último presencial. O prazo para a inscrição deverá
iniciar-se no próximo mês, e as aulas estão previstas para começar em
agosto. “Em um primeiro momento, o curso fornecerá noções básicas
relacionadas à infância e juventude. Também abordará a estrutura do
sistema de garantias para a infância e juventude. Na parte final, haverá
a capacitação de agentes multiplicadores, para que disseminem a
metodologia em suas respectivas localidades”, explicou a juíza auxiliar.
A
infância e juventude é uma área prioritária no CNJ. Na avaliação de
Marina, tanto a Recomendação n. 33 quanto o curso que será lançado pelo
órgão visam atender um propósito nobre. “É um bom começo, pois nos
permite plantar uma semente importante no sentido de evitarmos a
revitimização das crianças e dos adolescentes que sofreram violência
sexual, sem prejuízo à extração de depoimento fidedigno para a apuração
de fatos dessa natureza. É uma faceta que precisa ser observada, além da
prevenção à violência”, destacou.
Denúncias
- Os números relacionados à violação dos direitos de crianças e
adolescentes no Brasil ainda são alarmantes. Somente de janeiro a abril
deste ano, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
recebeu 46.111 denúncias, sendo 28% delas (ou seja, 12.856) para relatar
a ocorrência de violência sexual.
A
Childhood Brasil compilou os dados e identificou os estados brasileiros
com maior incidência de casos de abuso e exploração sexual de crianças e
jovens. Ocupam os cinco primeiros lugares no ranking os estados de São
Paulo (com 6.391 denúncias), Rio Janeiro (5.998), Bahia (4.303), Minas
Gerais (3.563) e Rio Grande do Sul (2.422).
O
Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e
Adolescentes foi instituído em maio de 2000, por meio da Lei Federal n.
9.970. O objetivo da legislação foi justamente o de chamar a atenção da
sociedade brasileira para a necessidade e responsabilidade que tem para
garantir os direitos das crianças e jovens.
A data escolhida faz referência ao sequestro de Araceli Cabrera Sanches, em 18 de maio de 1973. A
menina, então com oito anos, foi drogada, espancada, estuprada e morta
por membros de uma tradicional família capixaba. Muitos acompanharam o
desenrolar do caso, mas poucos denunciaram o fato, o que acabou por
contribuir para a impunidade dos criminosos.
Fonte: Conselho Nacional de Justiça
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