Juízes debatem formas de melhorar a adoção e o acolhimento de crianças e adolescentes
Melhorar
o processo de adoção e o acolhimento de crianças e adolescentes foi um
dos objetivos do encontro que reuniu nesta semana, em Brasília, juízes e
promotores de Justiça de todo o país. A discussão vai gerar um manual
de boas práticas que orientará os juízes que lidam com questões de
adoção e acolhimento de crianças e adolescentes.
A
juíza responsável pela área de infância e juventude no Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), Marina Gurgel, resumiu o encontro numa busca
coletiva de soluções para acelerar o número de adoções e diminuir a
quantidade de crianças e adolescentes em abrigos. “Não vamos impor nada.
Tudo será discutido e negociado”, afirmou.
A
proposta é criar procedimentos que sejam seguidos por juízes e
promotores em processos de adoção, acolhimento de crianças e
adolescentes. O documento tomado como base da discussão foi a Carta de
Constituição de Estratégias em Defesa da Proteção Integral das Crianças e
do Adolescente, compromisso assinado em outubro passado por
representantes dos três poderes. A carta tem metas para o cumprimento do
Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90).
A
conselheira do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) Taís
Ferraz informou que dar visibilidade ao tema é uma estratégia para
efetivar os direitos desse segmento da população. “Levantamento feito
pelo Ministério Público revelou que, até hoje, 25% das crianças e
adolescentes acolhidos não têm guia de acolhimento. Do ponto de vista
jurídico, essas crianças estão no limbo”, afirmou a conselheira. O CNJ
regulamentou a guia nacional de acolhimento em 2009.
O
juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça Gabriel Matos
apresentou dificuldades de operacionalização do Cadastro Nacional de
Adoção. Mostrou-se disposto a debater mudanças que ajudem os juízes a
lidar com problemas em processos de adoção, acolhimento e destituição do
poder familiar, entre outros. “Esses processos chamados de medidas de
proteção ou protetivas não têm roteiro, como manda o código de processo
penal, por exemplo”, disse.
Pesquisa
- Durante o evento foi apresentada formalmente a pesquisa Encontros e
Desencontros da Adoção no Brasil, feita pelo Departamento de Pesquisas
Judiciárias (DPJ), do Conselho Nacional de Justiça. De acordo com o
levantamento, a idade avançada é maior empecilho para a adoção ,
superando variáveis significativas como doenças e cor da pele. Dados atualizados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) - de maio de 2013 - registram 29.440 pretendentes a adoção no país. Desse total, 21.998 declararam aceitar crianças entre 0 a
5 anos, o que corresponde a 75%. A grande maioria dos pretendentes à
adoção deseja adotar uma criança com idade entre zero e cinco anos. O
problema é que esta faixa etária corresponde a apenas 9% das crianças
aptas à adoção. Precisamos desenvolver políticas públicas que modifiquem
essa realidade”, afirmou Gabriel Matos.
Para
provar a tese de que requisitos relacionados à saúde não apresentam
óbices em relação à adoção, o estudo apontou que 15% dos pretendentes
entrevistados (4.211) não ofereciam qualquer resistência em adotar
criança ou adolescente portador de HIV e 8% (2.252) não fizeram
restrições à condição de deficiência da criança ou adolescente.
Proporcionalmente esses percentuais apresentam um cenário favorável para
a adoção diante do número de crianças portadoras do HIV (141) e
deficientes (211 portadores de deficiência física e 422 com deficiência
mental).
Fonte: Conselho Nacional de Justiça
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