INSS conquista ressarcimento de benefício pago em caso de violência contra a mulher
Assassino terá que devolver aos cofres públicos o valor da pensão paga aos filhos da vítima
O
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) conseguiu, pela primeira vez
na Justiça, que o assassino de uma companheira realize o ressarcimento
integral aos cofres públicos dos valores da pensão por morte paga aos
filhos da vítima. A decisão é do Tribunal Regional Federal da 4° Região
(TRF 4) e é resultado de uma ação regressiva interposta pelo INSS em
Lajeado, no Rio Grande do Sul. Desde 2012, o Instituto busca na Justiça o
ressarcimento financeiro do pagamento de benefícios decorrentes de
violência doméstica e familiar.
Na
ação o INSS pediu o ressarcimento de mais de RS 25 mil ao agressor que,
ao assassinar a companheira, gerou o pagamento de pensão por morte aos
dois filhos do casal. O crime aconteceu em novembro de 2009 no município
de Teutônia (RS) e chocou a população local. O assassino foi condenado a
22 anos de prisão pelo homicídio. Na época do assassinato, os filhos da
vítima tinham oito e dez anos.
O
principal objetivo da medida não é o ressarcimento financeiro dos
valores pagos pelo contribuinte, mas sim estimular a prevenção e
repressão da violência contra a mulher no país. No Espírito Santo, por
exemplo, a cada grupo de 100 mil mulheres 9,6 são assassinadas. Já em
Alagoas, são 8,3 mulheres vítimas de homicídio a cada 100 mil.
O
procurador-chefe do INSS, Alessandro Stefanutto, destaca o caráter
punitivo-pedagógico das ações regressivas já que elas pretendem
contribuir para inibição da atuação de agressores de mulheres no país,
tanto efetivos como potencias. Atualmente, a cada cinco minutos uma
mulher é espancada no Brasil. De todas as denúncias de violência contra
mulheres recebidas pelo telefone 180 - da Central de Atendimento à
Mulher - 70% tem o companheiro da vítima ou alguém da sua família
identificado como agressor.
Histórico
- Desde 1991, O INSS move na Justiça ações regressivas contra empresas
responsáveis por acidentes de trabalho por descumprimento da legislação
trabalhista ou ausência de fiscalização às normas de saúde e segurança
do trabalho. Nessas ações o INSS possui percentual de vitórias judicias
superior a 90%.
Em
2011, o INSS impetrou a primeira ação regressiva em casos de acidentes
de trânsito causados pela irresponsabilidade de motoristas, por dirigir
embriagados ou em alta velocidade. A proposta de ajuizar as ações
regressivas nos casos de violência contra a mulher surgiu do Instituto
Maria da Penha - que tem a ativista de mesmo nome como presidente.
Fonte: Ministério da Previdência Social
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