Caso Eliza: mais dois réus são condenados
Os
réus E.V.S. e W.M.S. foram condenados nesta quarta-feira, 28 de agosto,
pelos crimes de sequestro e cárcere privado do menor B.S., filho de
E.S. e do goleiro B.F.D.S. Os dois foram considerados culpados pelo
conselho de sentença, formado por dois homens e cinco mulheres. E. foi
condenado a três anos de reclusão em regime aberto e W. foi condenado a
dois anos e seis meses de reclusão em regime aberto. Na leitura da
sentença, a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues afirmou que a relação
de subordinação entre os réus e outros acusados pelo sequestro e morte
de E.S., bem como pelo sequestro e cárcere privado de B.S., foi o
impulso que motivou o envolvimento dos dois no caso, sem fazer
questionamentos.
Os
réus responderam ao processo em liberdade e poderão recorrer contra a
decisão do júri na mesma condição. O julgamento desta quarta-feira
começou por volta das 9h e terminou às 22h50.
Acusação
A
fase de debates começou às 17h25 com a fala do promotor Henry Wagner
Vasconcelos, que fez uma retrospectiva do caso envolvendo E.S. e o filho
dela, B.S. O Ministério Público falou aos jurados sobre os julgamentos
anteriores, que resultaram na condenação de outros envolvidos no caso. O
promotor também mostrou diversos volumes do processo, falou sobre a
vinda da vítima para Minas Gerais, sobre o resultado da perícia feita na
Land Rover e sobre a troca de ligações telefônicas entre os envolvidos.
Para
o promotor, os acusados pelos crimes que resultaram na morte de E.S. e
no sequestro e cárcere privado de B.S. tinham certeza da impunidade. Ele
afirmou que os réus W.M.S. e E.V.S. entraram em contradição durante os
interrogatórios, apresentando versões diferentes das mostradas pelos
outros acusados e por testemunhas ouvidas ao longo do processo. Para
comprovar sua tese, o promotor leu diversos depoimentos que constam nos
autos.
Henry
Wagner afirmou que a condenação de W. e E. não quita a dívida deles com
a sociedade, pois a promotoria sempre teve a convicção de que todos os
acusados tinham conhecimento dos planos para matar E.S. No entanto, no
processo, os dois responderam apenas pelos crimes de cárcere privado e
sequestro de B.S. O promotor falou por quase duas horas e meia.
Defesa
O
advogado de E.V.S., Frederico Franco Orzil, iniciou sua fala às 19h54.
Ele afirmou que E. era um empregado e que cumpria ordens de D.R.C.S.,
absolvida do crime de cárcere privado e sequestro de B.S. em um
julgamento anterior. A defesa do réu afirmou que as ligações telefônicas
nada comprovam, já que não há degravações das conversas. A tese do
advogado foi a de que, se a ex-mulher do goleiro, que deu as ordens para
E.V.S. cuidar do bebê, foi absolvida, o mesmo deve acontecer com o
acusado, que apenas seguiu as determinações. Frederico falou por cerca
de uma hora.
Em
seguida, falou o advogado de W.M.S., Paulo Sávio Cunha Guimarães. Ele
afirmou que W. não trocou nenhuma ligação com o policial J.L. e que o
réu, ao receber a criança das mãos de D.R.C.S., às margens da BR-040, em
25 junho de 2010, não tinha outra escolha, senão a de recebê-la e a de
levá-la a um lugar seguro. O advogado afirmou que essa atitude não
configura um crime e que teria sido muito pior se o réu tivesse
abandonado o bebê à beira da estrada. O advogado de W. falou por cerca
de meia hora.
Na
réplica, que durou 20 minutos, o Ministério Público tentou desconstruir
a tese de que o bebê foi salvo pelos réus e afirmou que os envolvidos
sabiam que a polícia estava à procura do menor. Na tréplica, o advogado
Frederico Franco Orzil voltou a ressaltar o envolvimento da ex-mulher do
goleiro no sequestro e no cárcere privado do menor. O advogado Paulo
Sávio Cunha Guimarães, por sua vez, questionou o motivo de outras
pessoas que cuidaram do menor não constarem no processo como réus
Fonte: Tribunal de Justiça de Minas Gerais
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