Educadores divergem sobre projeto que pune aluno por desrespeito ao professor
Projeto
que está sendo analisado na Comissão de Educação da Câmara dos
Deputados inclui no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) um artigo
que obriga os alunos a observarem os códigos de ética e conduta da
escola onde estão matriculados e “respeitar a autoridade intelectual e
moral de seus docentes”.
Em
caso de descumprimento, os alunos nessa faixa etária estarão sujeitos a
suspensão e, “na hipótese de reincidência grave, ao seu encaminhamento a
autoridade judiciária competente”.
A
proposta (PL 267/11) foi tema de audiência pública nesta terça-feira,
com a participação de diversos setores ligados à educação.
Questão mais ampla
Para
a representante do Conselho Nacional dos Trabalhadores em Educação,
Claudir Sales, alterar o ECA (Lei 8.069/90) não vai resolver o problema
de violência que atinge alunos e professores diariamente. Eu não
acredito que colocando um artigo penalizando a criança e o adolescente
no estatuto vai resolver”, ressaltou.
Segundo
ela, a diminuição dos índices de violência é uma questão mais ampla,
que depende do fortalecimento do sistema educacional. “Para resolver tem
que ter realmente uma política de Estado, uma educação pública com
qualidade, uma valorização dos profissionais da educação.
Também
a coordenadora geral das Redes Públicas da Secretaria de Educação
Básica do MEC, Clélia Mara dos Santos, afirmou que “se não houver uma
construção dentro da escola, envolvendo os alunos, os professores e a
comunidade, não há legislação que resolva o problema da violência”. Ela
destacou que a gestão democrática precisa ser fortalecida nas escolas
antes de qualquer alteração no ECA.
Regras claras
Já
o diretor da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, João
Luiz Cesarino, afirmou que as escolas precisam de respaldo legal para
poder controlar a ação violenta de alunos. João Luiz espera da alteração
na legislação “o estabelecimento de direitos e deveres claros e a
conscientização das partes envolvidas. A entidade representa as escolas
privadas.
A
relatora da proposta na Comissão de Educação, deputada Professora
Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), diz que é preciso estabelecer na escola
um diálogo entre professores e alunos capaz de superar os problemas que
existem atualmente. Nós precisamos regulamentar e tratar de maneira
bastante madura a organização do espaço escolar com suas regras, com
seus combinados, com seus acertos”, disse a deputada.
A
deputada entende que “o fato de eu estabelecer regras, necessariamente
eu não estou estabelecendo punição. Mas também não entendo que a gente
pode fazer de conta que o problema não existe; o problema existe,
ressaltou ela.
O
auditor fiscal do Trabalho, do Departamento de Segurança e Saúde do
Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Jefferson Seidler,
informou que não existe nenhuma estatística no Brasil que quantifique a
ligação entre a violência e a saúde dos professores. Ele lembrou que o
departamento cuida dos trabalhadores celetistas, que representam na
educação 25 por cento dos profissionais - os restantes são servidores
públicos.
Tramitação
A
proposta, que tramita em caráter conclusivo, já foi aprovada na
Comissão de Seguridade Social e Família e está atualmente na Comissão de
Educação. Em seguida, vai ser analisada pela Comissão de Constituição e
Justiça e de Cidadania.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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