TRF1 - Justiça Federal de Uberlândia conta com vara especializada em execução fiscal
Uberlândia
ostenta o primeiro lugar em alguns indicadores importantes que
culminaram na conquista de mais uma vara federal para a região de 24
municípios jurisdicionados. Além de ser, atualmente, a maior Subseção
Judiciária do estado de Minas Gerais, com um volume de processos próximo
da casa dos 60 mil, é também a cidade mais populosa do Triângulo
Mineiro, com cerca de 650 mil habitantes apenas no município. Foi para
os jurisdicionados dessa região que o presidente do Tribunal Regional
Federal da Primeira Região, desembargador federal Mário César Ribeiro,
entregou, na última sexta-feira, dia 25, mais uma unidade da Justiça
Federal.
A solenidade de instalação da 5.ª Vara Federal de Uberlândia
contou com as presenças do diretor do foro da Seção Judiciária de Minas
Gerais, juiz federal Guilherme Doehler, do diretor da Subseção
Judiciária de Uberlândia, juiz federal José Humberto Ferreira, do
prefeito municipal Gilmar Machado, do desembargador federal Jirair Aram
Meguerian e do juiz federal substituto Gustavo Soratto Uliano, entre
outras autoridades.
A
ampliação da Subseção Judiciária atende a pleito antigo dos magistrados
mineiros, já que a subseccional contava com apenas quatro varas
federais para gerenciar o expressivo e crescente acervo processual. A
instalação da 5.ª Vara, antes prevista para 2014, foi antecipada em
razão da necessidade, demonstrada pelo elevado número de processos em
tramitação na Subseção.
A
5.ª Vara Federal de Uberlândia traz consigo uma característica que a
diferencia das demais e um grande desafio: a especialização em execuções
fiscais e um acervo inicial de quase 21 mil processos dessa natureza.
Segundo revelou o presidente Mário César Ribeiro, as execuções fiscais
representam cerca de 40% das ações em curso na Justiça Federal, sendo
crescente esse número em razão do expressivo volume de ações ajuizadas,
sem que se consiga dar vazão, o que torna difícil a recuperação dos
créditos públicos.
O
magistrado citou dados do relatório do CNJ Justiça em Números de 2013
que apontam a execução fiscal como o principal item da taxa de
congestionamento do TRF1, com 89%. “Além de não estar sendo efetiva a
arrecadação, os feitos de execução fiscal têm provocado acúmulo
indesejado de processos pendentes de julgamento”, afirmou o presidente
Consciente
da necessidade de dotar de melhores condições materiais e
organizacionais as novas unidades judiciárias que estão sendo instaladas
na Primeira Região, o presidente do TRF informou que autorizou o envio
de mais de 7 milhões de reais para a ampliação do edifício-sede da
Subseção Judiciária de Uberlândia e anunciou: “com a instalação dessa
nova vara, a Subseção de Uberlândia passa a contar, a partir de hoje,
com a Seção de Apoio à Central de Conciliação”.
Mário
César Ribeiro defende a conciliação como alternativa para tornar mais
célere e eficaz a resolução dos conflitos na área fiscal. “Embora nossa
tradição na busca da solução dos conflitos esteja fundada na noção de
litígio, tal postura começa a mudar e tende a avançar, harmonizando-se
com o preâmbulo da nossa Constituição, segundo o qual nosso país está
comprometido, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica
das controvérsias”, afirmou.
O
presidente, no entanto, alertou que a regulação da atividade
conciliatória dos entes públicos passa, necessariamente, pela via
legislativa. “Sabemos que não é medida fácil de ser equacionada, pois
necessita compatibilizar a necessária indisponibilidade do interesse
público com o princípio da igualdade”, afirmou o magistrado. Para ele,
apenas a norma, apesar de necessária, não se mostra suficiente para que a
conciliação se mostre frutífera na área da execução fiscal. “Urge que a
Administração Pública se lance com maior desenvoltura nas tentativas de
acordo e que haja disposição dos magistrados na condução de tais atos”.
Mário César Ribeiro acredita ser necessário que tanto o Poder
Judiciário quanto a Fazenda Pública unam esforços para a efetividade de
um projeto como este. “É importante termos em mente que é necessário
rever conceitos, porquanto nenhum problema pode ser resolvido a partir
da mesma consciência que o criou; por isso que precisamos aprender a ver
a questão dos créditos públicos de forma renovada, para que seu
recebimento se torne efetivo”, ponderou o magistrado.
Em
seu discurso, o diretor do foro da Seção Judiciária de Minas Gerais,
juiz federal Guilherme Doehler, também falou do esforço do TRF1 em
proporcionar uma justiça mais célere e efetiva aos cidadãos dos estados
que integram a 1.ª Região, e apontou as dificuldades que esse empenho
enfrenta. “Essa tarefa, infelizmente, não é fácil, pois sua execução
reclama modernização constante, revisão de estruturas administrativas e
aprimoramento de tecnologias para o melhor escoamento do grande número
de processos submetidos ao Judiciário, tudo isso mediante execução de
uma verba orçamentária cada vez mais reduzida e de uma legislação
processual ultrapassada, que a poucos atende”, afirmou.
O
magistrado destacou, ainda, o fato de Uberlândia, a exemplo de grandes
metrópoles brasileiras, experimentar o aumento das demandas judiciais.
“A
chegada da 5.ª Vara Federal, especializada em processo e julgamento de
execuções fiscais e respectivos embargos (...) contribuirá para melhor
eficiência e celeridade no julgamento também de outras causas, de grande
alcance social - como as previdenciárias - na medida em que serão
desonerados de parte considerável de seu acervo os magistrados das
outras quatro varas aqui instaladas”.
Comungam
do mesmo pensamento o diretor da Subseção Judiciária de Uberlândia,
José Humberto Ferreira, e o juiz federal substituto Gustavo Soratto
Uliano, que assume temporariamente os trabalhos da nova vara. “É sempre
motivo para comemorar quando a gente tem mais uma vara instalada; e essa
em especial porque está tirando todo o acervo da execução fiscal das
outras 3 varas, o que vai possibilitar uma prestação de serviço mais
especializada na 5.ª Vara de Execução Fiscal e desafogar as outras 3”,
afirmou José Humberto Ferreira. Ele, que considera pequeno o número de
varas federais para a Seccional, reconhece que a nova vara chegou para
melhorar, mas ainda não é o número ideal. “O ideal seria que nós
conseguíssemos, pelo menos, mais 3 varas para cá porque nós temos hoje
nos JEFs, que precisam de mais varas, 13 mil processos; nas outras 3
varas cíveis e criminais, nós temos cerca de mais 3 mil processos em
cada uma, são mais 9 mil processos; e mais 21 mil processos na vara de
execução; então eu acho que com mais 3 novas varas o problema seria
equalizado”, afirmou.
Também
o juiz federal Gustavo Uliano, responsável por conduzir os primeiros
passos da nova vara federal, assumiu o desafio de encarar um acervo de
quase 21 mil processos. “A expectativa é muito boa; foi formada uma
equipe com pessoas experientes, pessoas que já vêm trabalhando com
execução fiscal há muito tempo; e com a unificação dos processos das 3
varas em uma só vai facilitar o andamento, vai ter uma produção mais em
série e com isso a gente conseguirá reduzir o acervo com mais rapidez”,
projetou.
Para
encarar o desafio, o magistrado contará com 18 servidores. Ele também
acredita na conciliação para atingir seu objetivo. “Vamos conversar com
os exequentes para tentar o maior número de conciliações na execução
fiscal também.
Prestigiaram
o evento autoridades federais, estaduais e municipais, civis e
militares, entre as quais os juízes federais Lincoln Rodrigues de Faria
(auxiliar da Coger), Bruno Vasconcelos, Osmar Vaz de Mello da Fonseca
Junior, Alexandre Henry Alves, Rodrigo de Godoy Mendes e Luciano
Mendonça Fontoura; o diretor-geral do TRF1, Roberto Elias Cavalcante, e o
presidente da Comissão de Instalação das Varas Federais da 1.ª Região,
Carlos Frederico Maia Bezerra.
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